Como controlar os gastos do seu ateliê de costura

Para a maioria das pessoas, conseguir administrar as finanças de seu negócio é uma tarefa desafiadora. E se você tem um ateliê de costura, provavelmente, a situação não deve ser muito diferente.

As dificuldades são ainda maiores se você trabalha sozinha, e precisa produzir ao tempo que se ocupa com os gastos, as despesas, os clientes e sua vida fora do trabalho, conciliar todos esses aspectos exige dedicação.

Lidar com esta rotina não é fácil, e muitas vezes perder o controle dos gastos faz parte do processo, mas é possível resolver tudo isso com planejamento e organização.  

Para te ajudar nesta empreitada, elaboramos este artigo com dicas e informações que consideramos relevantes para solucionar alguns dos problemas mais comuns enfrentados por empreendedores e otimizar sua vida no ateliê.

Continue conosco e aproveite a leitura.

Assumindo o seu negócio

Segundo informações do SEBRAE, a maior parte dos ateliês de costura no Brasil são caracterizados por micro empreendimentos, liderados por mulheres.

E não importa se você faz pequenos trabalhos de reparos, ou é especializada em alta costura em um grande ateliê, se você ganha dinheiro com isso, seja ela uma renda extra ou principal, você tem um empreendimento, e precisa assumir responsabilidades com ele.

Quando alguém inicia uma atividade de ateliê de costura, é importante estar atento a alguns aspectos do mercado, como o público-alvo, a concorrência e os fornecedores. Além de traçar estratégias eficientes para evitar prejuízos desnecessários.

Obviamente que com a experiência e a prática diária, ficará muito mais fácil lidar com a rotina e fazer as melhores e mais acertadas escolhas para garantir o bom funcionamento de seu negócio.

Suas despesas no ateliê

Independente do tamanho do seu negócio, e a forma que você o conduz, uma coisa é comum a todos eles: tudo que você produz custa dinheiro. 

Seja um serviço grande ou pequeno, básico ou complexo, há uma série de elementos envolvidos no processo, e é necessário que você perceba isso.

Gastos com energia para funcionamento de sua máquina de costura, assim como o desgaste que ela vai sofrendo ao longo do tempo e as possíveis necessidades de reparos e manutenção, o seu tempo dedicado ao trabalho a ser feito, o uso de linhas, agulhas e tecido, entre tantos outros.

Todos esses aspectos agregam valor a cada serviço realizado por você e devem ser devidamente reconhecidos e cobrados. Isso evita que você gaste mais do que ganha, consiga cobrir suas despesas e receber o lucro pelo seu trabalho.  

Gastos fixos e variáveis 

Estes dois fatores são muito importantes e determinam o desempenho de seu negócio. Por isso, é preciso fazer uma boa gestão para evitar que você embarque em uma situação complicada.

Primeiramente, entenda o que cada um deles significa.

Gastos fixos  

Se referem a contas que, independente do volume de sua produção, não vão mudar, ou não passarão por mudanças tão  significativas. 

É o caso das contas de água, luz, aluguel, internet, a manutenção de sua máquina, limpeza do ateliê, gastos com funcionários caso você tenha, entre outros.

Gastos variáveis

Se referem aos custos diretamente relacionados às suas atividades no ateliê, e envolve tudo o que você precisa para continuar produzindo e tocando seu empreendimento. 

Estes gastos costumam variar de acordo com o volume de sua produção e dizem respeito a materiais como linhas, agulhas, tecidos, cola, alfinetes, botões, deslocamento para a realização de compras e contratação de ajudantes em épocas de maior demanda.

Em qualquer trabalho realizado, é necessário que você leve esses fatores em consideração, e entenda que eles devem fazer parte do valor cobrado no final.

A segurança financeira que você precisa

Saber gerenciar seus gastos, para evitar desperdícios de material, perdas e descontrole nas finanças, além de aprender a cobrar o valor justo pelo seu trabalho, para que ele te dê um retorno positivo faz parte do processo para conquistar segurança financeira.

De maneira geral, a soma de seus gastos fixos e variáveis,  dividido pelo número de peças que você é capaz de produzir em um mês, vai te ajudar a encontrar o valor médio que você pode cobrar por cada trabalho concluído.

(Gastos fixos + gastos variáveis) ÷ número de peças produzidas por mês = custo médio por peça

A equação é simples e pode ser adaptada para as mais diversas situações, como a realização de um trabalho especial, que demanda materiais diferentes dos que você costuma usar, ou a confecção de uma peça que exija maior quantidade de materiais.

Lembre-se, também, que você está dedicando seu tempo ao trabalho, e você precisa ser pago para isso. Qual o valor que você atribui à sua hora trabalhada? Para determiná-la, levar em conta fatores como seu nível de experiência, ou a média paga aos profissionais da área pode te ajudar.

O Lucro

Depois de descobrir quais os custos necessários para ter seu ateliê funcionando a pleno vapor, você precisa determinar uma margem de lucro.

A margem de lucro consiste na porcentagem adicional agregada aos custos totais de cada peça ou serviço feito em seu ateliê, é ela que vai definir o preço final que você deve cobrar pelo seu produto e quanto de lucro você terá após cada venda.

Neste contexto vale a pena fazer pesquisas de mercado para saber quanto lojas e outros ateliês estão cobrando por peças similares às suas, por exemplo.

Digamos que para produzir um vestido, o custo total tenha sido de R$50 reais, e vestidos parecidos são vendidos nas lojas por R$100. Se você atribui uma margem de lucro de 50%, por exemplo, o preço final de seu vestido será de R$75, em outras palavras, seu livro será de R$25.

Esta etapa é fundamental para que você não saia no prejuízo cobrando menos do que seu produto merece, ou superfaturando o valor, diminuindo as chances de de venda. Cobrar o preço justo pelo seu trabalho é sempre a opção mais acertada.

Não misture finanças pessoais com a do seu negócio

Por fim, um erro muito comum que as pessoas cometem em sua gestão de seu negócio: não separar as finanças pessoais das finanças da empresa.

Perceba que ao final do mês, o dinheiro que você ganha não é apenas seu, pertence também à sua empresa, afinal você precisa reinvestir na compra de materiais e pagar suas contas.

O seu dinheiro deve chegar a você em forma de Pró-labore (que é a quantia referente ao seu salário) e que você receberá todos os meses de sua empresa.

Essa prática evita que você perca o controle sobre os gastos de seu negócio, permitindo que ele se mantenha saudável e continue te proporcionando boas e novas conquistas.

Não é fácil ser dona do próprio  empreendimento, mas com disciplina, foco e trabalho duro, você conseguirá conduzi-lo de forma leve, sem dores de cabeça ou prejuízos.

Deixe-nos um comentário

Solve : *
29 × 5 =